Ideia da Coerência on Nostr: 📜 Boa parte do pensamento contemporâneo tem certa aversão ao conhecimento do ...
📜
Boa parte do pensamento contemporâneo tem certa aversão ao conhecimento do todo, ou mesmo à possibilidade do conhecimento do todo.
É como se isto acarretasse um pretenso conhecimento exaustivo do real e implicasse dogmatismo ou, pior, conduzisse a uma certa abordagem metafísica que nos faria novamente reféns das filosofias da identidade ou do Uno, o que os filósofos contemporâneos querem combater com as filosofias da diferença, da alteridade, as variadas formas do ceticismo.
Como se conhecer a totalidade implicasse totalitarismo.
Pois esta a resposta dialética: conhecer o todo não é conhecer tudo; os limites do conhecimento racional não vêm de fora da razão, mas de dentro: a razão se abre a possibilidades não antecipáveis, a modos não antecipáveis de manifestação da coerência.
Conhecer os limites da razão não é conhecer o que está do lado de lá da linha que demarca o cognoscível do incognoscível, não é nada parecido com esta demanda contraditória.
A metáfora aplicável aqui não é a da linha demarcatória, como em Kant e Schopenhauer e sua “coisa-em-si” desconhecida. O melhor é pensar o limite em analogia com o limite de potência de um carro: tendo acesso apenas aos dados sobre o funcionamento do motor, sabemos o que se pode ou não extrair do carro em velocidade máxima, antes do colapso.
O mesmo dá-se com a razão: conhecendo a restrição originária imposta pela demanda minimalista por coerência, sabemos que “só o coerente permanece determinado”, mas não sabemos, nem podemos conhecer antecipadamente, todas as possibilidades compatíveis com tal restrição.
Published at
2024-11-12 14:24:46Event JSON
{
"id": "8a12a44df2b9a617de0261ff0c2360fe8839f2632417599f72f1e308786bd68e",
"pubkey": "4fa21a1226002e036658d8a6d144531af4ec554c8941861b126a26b91705a435",
"created_at": 1731421486,
"kind": 1,
"tags": [
[
"e",
"90eea8e2eda9526ff66c50722f1b6c28caca0a6c0b04c58a876fbfd090e66ffc",
"wss://nos.lol/",
"root"
]
],
"content": "📜\n\nBoa parte do pensamento contemporâneo tem certa aversão ao conhecimento do todo, ou mesmo à possibilidade do conhecimento do todo.\n\nÉ como se isto acarretasse um pretenso conhecimento exaustivo do real e implicasse dogmatismo ou, pior, conduzisse a uma certa abordagem metafísica que nos faria novamente reféns das filosofias da identidade ou do Uno, o que os filósofos contemporâneos querem combater com as filosofias da diferença, da alteridade, as variadas formas do ceticismo.\n\nComo se conhecer a totalidade implicasse totalitarismo.\n\nPois esta a resposta dialética: conhecer o todo não é conhecer tudo; os limites do conhecimento racional não vêm de fora da razão, mas de dentro: a razão se abre a possibilidades não antecipáveis, a modos não antecipáveis de manifestação da coerência.\n\nConhecer os limites da razão não é conhecer o que está do lado de lá da linha que demarca o cognoscível do incognoscível, não é nada parecido com esta demanda contraditória.\n\nA metáfora aplicável aqui não é a da linha demarcatória, como em Kant e Schopenhauer e sua “coisa-em-si” desconhecida. O melhor é pensar o limite em analogia com o limite de potência de um carro: tendo acesso apenas aos dados sobre o funcionamento do motor, sabemos o que se pode ou não extrair do carro em velocidade máxima, antes do colapso.\n\nO mesmo dá-se com a razão: conhecendo a restrição originária imposta pela demanda minimalista por coerência, sabemos que “só o coerente permanece determinado”, mas não sabemos, nem podemos conhecer antecipadamente, todas as possibilidades compatíveis com tal restrição.",
"sig": "538dc65780b3a53b5e4e260cffcd99bf0e406e7126fd63dc48b1d99d059e26fa1493b6cfecf4839df1334229630c96909698de6c9218ebc9590b6cffd4a19266"
}