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Antes de discorrer sobre a realidade brasileira, faz-se necessário examinar o contexto de dois outros países sul-americanos: Bolívia e Argentina. Assim como o Brasil, a Bolívia enfrenta incêndios florestais recorrentes, e em ambas as nações (Brasil e Bolívia) a caça de animais silvestres é rigidamente proibida.
A Argentina, por outro lado, apresenta um cenário distinto. O desmatamento no país ocorre em escala significativamente menor em relação aos seus vizinhos, e sua legislação permite a caça. Esse contraste suscita uma questão de grande relevância: de que maneira a proibição da caça pode comprometer a preservação dos ecossistemas? Compreender os incentivos gerados por tal lei é fundamental para entendermos porque nosso país sofre tanto com queimadas.
No modelo argentino, existem florestas que são de propriedade privada, nas quais a caça é permitida. Os proprietários dessas terras têm interesse em preservar tanto a floresta quanto a fauna local, uma vez que isso contribui para a geração de lucros com o ecoturismo e com a demanda de caçadores. A floresta e seus habitantes, portanto, adquirem um valor agregado, e a presença de um guardião da área garante a manutenção e o bem-estar do ecossistema. Como consequência, a floresta é mantida em pé, e os proprietários asseguram que a população das espécies nativas se mantenha em crescimento, visto que elas constituem uma fonte vital de renda. Embora outras pessoas utilizem a terra para atividades agrícolas e pecuárias, a prática da caça esportiva ajuda a equilibrar a dinâmica da utilização da terra.
No Brasil e na Bolívia, devido à proibição da caça, a floresta vale mais no chão do que em pé. Sendo um bem sem proprietário, considerado "do povo", ela será explorada de forma indiscriminada até sua completa destruição. Caso eu residisse na Amazônia e fosse proprietário de uma fazenda rica em florestas exuberantes e fauna abundante, mas não tivesse a possibilidade de explorar essas riquezas de maneira sustentável, também optaria por desmatar e converter as áreas em plantações ou pastagens para a criação de gado. Esses são os efeitos indesejados gerados por essa legislação. Além disso, se alguém estiver em uma área rural e se deparar com um caçador ilegal, a probabilidade de ser morto é alta, já que o caçador preferirá matar do que enfrentar a prisão por crime ambiental. Tudo isso sem mencionar os elevados custos anuais com o IBAMA.
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"O que ninguém fala sobre as queimadas na Amazônia: E como resolvê-las."
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