Livro I
Capítulo I
Aristóteles abre sua obra constatando o fato de que toda arte ou investigação, são realizadas em vistas a algum bem. Sendo, portanto, o bem aquilo a que todas as ações tendem. Porém, se bem é aquilo ao qual todas as coisas tendem, surge o seguinte dilema: como pode, então, algumas atividades serem o fim de si mesmas, e outras atividades terem por fim a realização de uma outra coisa? Por exemplo, a realização da construção naval é a produção de um navio, porém a realização da dança se dá no próprio ato de dançar. Assim, há uma diferença entre a natureza dos fins: alguns fins são atividades, enquanto outros são produtos de determinada atividade. Observação: No caso dos fins que são a produção de algo a partir de uma atividade, naturalmente o fim produzido(por exemplo, a saúde para a medicina) é mais perfeito do que a atividade.
A partir desta constatação, pode-se pensar que, por haver muitas atividades, há também muitos fins. Cita-se o exemplo de que a finalidade da arte médica é a saúde, da construção naval é um navio, da economia é a riqueza e etc. Porém, observa-se que algumas artes subordinam-se a outras, tendo outras por finalidade. Por exemplo, a arte de produzir um bisturi é uma arte sujeita à arte da medicina, que por sua vez tem por finalidade a saúde. Neste sentido, deriva-se que a finalidade da arte mais fundamental, é superior aos da arte subordinadas a ela(no exemplo, a saúde é uma finalidade superior à produção de um bisturi).